10. CULTURA 29.8.12

1. FOTOGRAFIA - NA INTIMIDADE DAS ESTRELAS
2. TELEVISO - DUBL DE PINTORES
3. LIVROS - JK, A HISTRIA REVISTA
4. CINEMA - COMANDO EM AO
5. EM CARTAZ  CINEMA - MAIS UM SUCESSO VINDO DA FRANA
6. EM CARTAZ  LIVROS - FAMOSO PARA SEMPRE
7. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - O RETRATISTA DO PERU
8. EM CARTAZ  DVD - 40 VEZES NELSON
9. EM CARTAZ  MSICA - SOUL FUTURISTA
10. EM CARTAZ  AGENDA - FRANZ/COMMON/NELSON
11. ARTES VISUAIS - A CONQUISTA DA AMRICA
12. ARTES VISUAIS - UMA ROTA DA SEDA, REVISITADA

1. FOTOGRAFIA - NA INTIMIDADE DAS ESTRELAS

Mostra rene 100 retratos de grandes mitos do cinema e da arte na maior restrospectiva j feita no Brasil do fotgrafo italiano Willy Rizzo, conhecido como o "prncipe dos paparazzi" 
Ivan Claudio

 DESPEDIDA - A atriz Marylin Monroe, 15 dias antes de morrer ela fez Rizzo esperar por trs horas
 
Muito antes de o cineasta Federico Fellini ter popularizado o trabalho dos paparazzi no filme A Doce Vida, em 1960, um fotgrafo italiano j era conhecido por registrar cenas ntimas e informais de artistas, milionrios e jet setters. Seu nome  Willy Rizzo e sua fantstica galeria de imagens do universo do cinema, da arte e da moda est sendo exibida na mostra Rizzo no Brasil, a maior retrospectiva j feita de sua obra (Museu Brasileiro da Escultura, em So Paulo). De Marlene Dietrich a Claudia Cardinale, de Gene Kelly a Jack Nicholson, a constelao de estrelas  de congestionar qualquer tapete vermelho. Por anos fotgrafo nmero 1 da revista francesa Paris Match, Rizzo entrou para a histria ao clicar a atriz Marilyn Monroe em Los Angeles duas semanas antes de sua morte, em 1962. Com 100 retratos muito bem selecionados, a exposio prova que esse no foi o nico ponto alto de sua carreira.

OUSADO - Com uma modelo em 1973, em foto de Oliviero Toscani: "Nunca entrei pela porta de servio", diz Rizzo
 
Embora fosse avessa a qualquer pessoa estranha em seu camarim, a diva da pera Maria Callas o recebeu antes de uma estreia no Teatro alla Scala de Milo. Pde ser vista sendo paramentada com joias por suas camareiras. Ao buscar pela esmeralda, nada. Roubaram minha pedra, teria gritado. Daqui ningum sai. Rizzo, claro, obedeceu  e era tudo o que queria: ficar s com a soprano. A joia foi achada e os dois selaram uma amizade para toda a vida. O episdio inspirou o cartunista Herg a criar o personagem do fotgrafo Walter Rizzoto nos quadrinhos de Tin Tin. Frequentador dos embalos da Cte DAzur, Rizzo flagrou a atriz Brigitte Bardot no auge da beleza, saindo como pantera da cabine de um veleiro. Outro clique raro: John Wayne na cama, acabando de acordar. Mais um: Liz Taylor de biquni tomando um suco em Cap DAntibes. O que surpreende em todas as imagens  que as estrelas no se sentem invadidas na privacidade  ao contrrio, revelam-se para a cmera. Cabe aqui uma explicao: Rizzo no era um paparazzo na acepo atual da palavra, que define o profissional especializado em roubar flagrantes de celebridades. Ele fazia imagens com consentimento do retratado e era por eles adorado. Vivi uma poca formidvel em que podia me aproximar das maiores estrelas de Hollywood sem ter de vencer o obstculo dos assessores de imprensa, dos advogados, dos agentes e de todos os pitbulls que atualmente as rodeiam, diz o fotgrafo, hoje com 84 anos.

FURO - O paparazzo flagrou Brigitte Bardot em um veleiro em Saint-Tropez: frequentador dos embalos 
 
Filho de um casal de juzes de Npoles, ele foi viver em Paris ainda garoto e comeou a fotografar aos 16 anos. Aps estagiar no estdio Harcourt, tornou-se habitu nos sets de cinema, clicando bastidores de filmes e seus astros. Logo estava em Hollywood. Elegante, muito bem relacionado e conhecedor das regras do chamado grand monde, afirma que nunca entrou pela porta de servio. No  toa, era conhecido como o prncipe dos paparazzi. Chegar a Marilyn, por exemplo, foi fcil. Precisou apenas pedir emprestada uma manso em Beverlly Hills para cenrio e suportar o atraso de trs horas da atriz. O que conta, nessas horas,  a agilidade. Antes da sesso com o pintor Salvador Dali, Rizzo j chegou com a ideia de usar lupas para distorcer o seu rosto.

SURREAL - O pintor Salvador Dal raramente se deixava fotografar. Rizzo o convenceu a posar quando disse que sua imagem ficaria distorcida
 
O segredo  descobrir logo o que sintetiza a personalidade de uma celebridade, diz. Outra estrela que posou para ele, Marlene Dietrich, sentou-se no cho ouvindo um disco na vitrola. Rizzo lembra que ela no recebia pessoas com sapatos marrons. Como Roberto Carlos, o Anjo Azul tinha arrepios ao ver essa cor.


2. TELEVISO - DUBL DE PINTORES

A pintora mineira Ana Dures descobriu um novo veculo para a sua arte: criar obras para personagens de artistas plsticos em novelas e minissries como o grafiteiro de "Cheias de Charme", da Rede Globo
Mariana Brugger

 A DONA DO TRAO - Ana Dures em sua exposio e uma tela feita para a novela (grfico) colaborao na preparao dos atores
 
Seu nome  Ana Dures mas se algum cham-la de Lena, Laura ou Rodinei, ela atende. Mineira de 49 anos, Ana  uma ghost painter, ou seja, uma pintora que empresta o talento para personagens que so artistas plsticos na tev. Suas obras so vistas atualmente na novela Cheias de Charme, da Rede Globo, quando aparecem na tela os trabalhos do grafiteiro Rodinei (Jayme Matarazzo). Gosto da aventura de criar uma personalidade artstica diferente, diz Ana, em cartaz com a exposio Mundo das Coisas (Espao Cultural Furnas, Rio de Janeiro). Na primeira parte da mostra, ela exibe justamente as pinturas que fez para telenovelas e minissries, alm de obras de uma outra personagem fictcia, Ingrid Hermanns, uma alem fascinada pelo Brasil.
 
A experincia como pintora fantasma iniciou-se h trs anos na minissrie Queridos Amigos. Fazia telas para a personagem Lena (Dbora Bloch). Na poca, teve de finalizar uma obra em menos de 12 horas: No foi fcil. Assinou ainda pinturas para Laura (Ana Paula Arsio) na novela Ciranda de Pedra. Sua participao no se limita ao acabamento das telas: ela, no entanto, colabora tambm na preparao dos atores. Fiz laboratrio com o Jayme Matarazzo, e isso se repetiu com as atrizes. Coloco-os para trabalhar pesado, diz Ana.
 
Alguns tomam gosto pela coisa, caso do prprio Matarazzo, que no vive mais sem pincis e tintas. Ela doa um pouco de sua alma de artista,  um gesto de generosidade, diz ele. Com obras avaliadas entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, Ana reconhece que a tev aproxima sua produo das pessoas, mas no acredita que isso influa em sua cotao: Trabalho com a mesma dedicao para novelas e para a minha satisfao pessoal.


3. LIVROS - JK, A HISTRIA REVISTA 

O ex-presidente se sentia trado por Joo Goulart e Castelo Branco, teria ameaado Jnio Quadros com um soco e procurado ajuda na Opus Dei durante uma depresso
Michel Alecrim

 ISOLAMENTO - Duas semanas antes do acidente, Juscelino ficou amargurado com a falsa notcia de que ele teria sido vtima de uma coliso: morte anunciada
 
Ao lanar em 1982 o livro Memorial do Exlio, baseado nas memrias do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), o jornalista e romancista Carlos Heitor Cony no pde esmiuar o episdio sobre o qual tinha mais interesse: a morte de JK num desastre automobilstico cercado de mistrio. Com os direitos polticos cassados aps o golpe militar de 1964, a suspeita era de que Juscelino tivesse sido assassinado pela ditadura (nesse mesmo ano de 1976, morreriam Joo Goulart e a estilista carioca Zuzu Angel, tambm num acidente pouco explicado). A prpria famlia do estadista deu o recado para Cony no se aprofundar em certos assuntos. A recomendao mais veemente veio da esposa, Sarah, pois havia a suspeita de que, momentos antes, o ex-mandatrio teria se encontrado num hotel com a amante, Maria Lcia Pedroso. Agora, 30 anos aps a primeira edio da obra, a viso do poltico mineiro sobre o perodo posterior  sua sada do poder volta s livrarias, com o acrscimo desse ponto nebuloso do acidente. Cony no traz uma prova cabal de que o ex-presidente foi eliminado pelo regime militar. Apenas rene indcios. Cabe ao leitor tirar as concluses.
 
Essa edio revista ganhou o ttulo JK e a Ditadura (Objetiva) e, assim como a original,  lanada sem festa e noite de autgrafos. Mas, enquanto na poca o governo do general Joo Batista Figueiredo proibiu qualquer alarde, agora  a discrio do prprio autor que falou mais alto. Ele contou  ISTO que Juscelino suspeitou de que morreria duas semanas antes do fatdico dia 22 de agosto de 1976. Em sua fazenda em Gois, ele se sentiu profundamente amargurado depois que um boato dava conta de sua morte num acidente de carro numa viagem para Braslia. Para o escritor, essa morte anunciada teve outros sinais de que fora planejada, devido  rpida presena de militares no local da tragdia, quando o carro Opala que levava JK para o Rio bateu em uma carreta na via Dutra, prximo a Resende. O relatrio da comisso de militares apontava um suposto encontro com a amante, momentos antes, fato que foi por ela desmentido. Cony esteve com Juscelino nesse dia, em So Paulo, e ressalta que no foi devidamente investigado o fato de a percia ter constatado defeito na suspenso do Opala, um sinal claro de sabotagem: Quem primeiro apareceu na cena do desastre foi o Guilherme Romano, eminncia parda do regime.

DESEJO REALIZADO - Na edio anterior do livro, a morte do ex-presidente no foi abordada: o autor atendeu ao pedido da famlia
 
O autor organizou as memrias do ex-presidente a partir da posse de Jnio Quadros. Conta que na transmisso do cargo o poltico paulista se livrou de levar um murro do antecessor, preocupado com o teor de suas ofensas no discurso. Um Juscelino at ento aguerrido sofreu tantas perseguies que deu lugar a um homem amargurado e deprimido. Ele chegou a pensar em suicdio no exlio nos EUA, diz Cony. Precisou recorrer at  religiosidade e, em 1973, participou de um curslio patrocinado pela organizao Opus Dei. Os maiores ressentimentos vinham de dois colegas: Joo Goulart, que foi o seu vice, por no ter apoiado a sua volta ao poder em 1965, e o ex-presidente Castelo Branco, por no ter cumprido o prometido. O marechal e ditador contou com o apoio de JK para sua eleio pelo Congresso, mas recusou-se a fazer uma transio democrtica. Juscelino ainda acreditava que ia desempenhar o papel que muito tempo depois coube a Tancredo Neves, de ser o civil que ia reconduzir o Pas  democracia, conclui Cony.

Leia um trecho do primeiro captulo da obra :
O sucessor sem sucesso
 
31 de janeiro de 1961  ... infelizmente, ainda estamos na Amrica Latina. A 10 mil metros de altura, cruzando o Atlntico rumo a Dacar, em escala para Paris, o DC-7 Bandeirante Antnio Raposo Tavares deixara Braslia trs horas antes. Levava a bordo uma espcie de novo bandeirante, o brasileiro Juscelino Kubitschek de Oliveira, de 59 anos, que acabara de transmitir a presidncia da Repblica a Jnio da Silva Quadros. Aparentemente, fora uma sucesso tranquila do ponto de vista constitucional. Contrariando antiga praxe entusiasticamente adotada no pas, ningum pensou em anular as eleies ou em negar posse ao eleito. Alm de tranquila  seria tambm a ltima eleio presidencial pelos prximos vinte e tantos anos , fora uma sucesso gloriosa para quem deixava o poder. Juracy Magalhes, seu adversrio poltico, mas amigo pessoal, sintetizara numa frase o espetculo da multido que provocou o primeiro congestionamento nas largas avenidas que JK abrira no spero cho do cerrado: O seu governo tem um ocaso que parece uma alvorada! E de todos os cantos do pas j surgira o refro, JK-65, que nascera to logo ele se recusara a articular uma emenda na Constituio para tornar-se elegvel  prpria sucesso  outra praxe, tambm, de nossos costumes polticos. 
 
Ao descer a rampa do Palcio do Planalto, acompanhado pelo novo presidente, ambos ouviram os gritos da multido que antecipavam, de forma exagerada, o problema sucessrio: ao mesmo tempo que se tornava um ex-presidente, transformava-se em poderoso candidato presidencial, em torno do qual, por bem ou por mal, gravitariam todas as articulaes polticas. E como o Brasil estranhamente tem pressa  ao menos nessa questo , essas articulaes costumam comear no mesmo dia em que um cidado toma posse de qualquer poder.
 
Em sua poltrona, cercado pela famlia  dona Sarah, Mrcia e Maria Estela , seu mdico Carlos Martins Teixeira, os amigos Jos Sette Cmara e Saulo Diniz, JK tenta forar o sono que habitualmente lhe vinha fcil em viagens demoradas (15 anos mais tarde, dormindo, sofreria o acidente fatal na Rio-So Paulo). A frase ressoava em sua cabea, prolongamento montono do rudo dos motores: ... infelizmente, ainda estamos na Amrica Latina. Frase que, ao encerrar seu ltimo volume de memrias, fez questo de transcrever, tornando-a ponto final no apenas de um perodo de sua vida que acabara, mas, sobretudo, de um novo desafio que comeava.
 
 Momentos antes, o comandante do avio viera cham-lo  cabina. O rdio de bordo transmitia, atravs da Voz do Brasil, a primeira manifestao pblica do novo presidente do Brasil. JK ouvira apenas algumas frases  o bastante para compreender que, afinal, era o discurso que o preocupara nos ltimos dias, que toldara sua habitual serenidade diante do drama poltico. Na semana anterior, recebendo em visita protocolar o futuro ministro da Justia, Oscar Pedroso Horta,fora informado de que Jnio falaria durante a cerimnia de posse e, na certa, alguns aspectos da antiga administrao seriam criticados.
 
A princpio, ele no dera importncia. Sabia que empossaria um adversrio poltico, um homem que se elegera com espetacular votao, usando os recursos normais de qualquer candidato da oposio. Mais tarde, alguns amigos tambm o advertiram no mesmo sentido. Dizia-se que Clemente Mariani, futuro ministro da Fazenda, ou o prprio Carlos Lacerda, o mais virulento adversrio de todos os presidentes da Repblica desde a redemocratizao do pas, em 1945, um ou outro ou ambos haviam redigido um discurso insultuoso, apocalptico, letal. E Auro de Moura Andrade, da tribuna do Senado, deixara escapar uma frase que, subitamente, se destacou em seu subconsciente: V tranquilo, presidente, dissera o senador, estaremos no Legislativo defendendo suas obras, sua honra pessoal e cada ato praticado por Vossa Excelncia em benefcio do Brasil!


4. CINEMA - COMANDO EM AO

O filme "Mercenrios 2" rene o maior elenco de astros j visto em filmes de pancadaria e transforma em fenmeno uma brincadeira que resgata uma frmula de sucesso no passado
Marcos Diego Nogueira


TROPA DE ELITE - Stallone (ao centro) e seus comparsas: armados at os dentes
 
Astros de filmes de ao sofrem de uma limitao bvia: a idade. Aos 66 anos, o ator Sylvester Stallone, que se consagrou nesse gnero em ttulos como "Rambo", decidiu fazer do obstculo o principal atrativo. No papel do lder de uma milcia particular, ele usa justamente a experincia para alcanar os objetivos. Deu certo na aventura de estreia e est acontecendo o mesmo com "Mercenrios 2", a continuao 
da franquia que chega aos cinemas brasileiros na sexta-feira 31 aps liderar a bilheteria americana.
 
O outro ponto de venda do longa  o seu elenco, que rene nada menos que 12 estrelas "bombadas" da nova e da velha gerao. Se o filme inicial faturou US$ 274 milhes com um time de veteranos que inclua Dolph Lundgren, Jet Li e Mickey Rourke, a sequncia traz Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis em papis expressivos e marca a entrada de Chuck Norris e Jean-Claude Van Damme no grupo. "Somos peas de museu", diz Schwarzenegger, 65 anos, ao sair de uma cena de tiros e exploses.

NO MESMO TIME - Rivais no passado, Schwarzenegger, Stallone e Willis somam foras em "Mercenrios 2": piadas sobre a idade e disposio para arrebentar nas bilheterias
 
Aps oito anos afastado do cinema, perodo em que exerceu o cargo de governador da Califrnia, ele trocou o terno bem cortado pelos trajes militares e a linguagem protocolar pela ironia que sempre norteou seus trabalhos. Numa brincadeira com o filme "Exterminador do Futuro", lembra o seu bordo mais famoso: "l'll be back" (estarei de volta). No que  prontamente interrompido por Bruce Willis: "Chega dessa conversa, desta vez quem vai voltar sou eu." H quase uma dcada fora do mercado, Chuck Norris, 72 anos, arranca risadas com anedotas sobre sua fama de duro: "Uma cobra me picou e, aps cinco dias de dor intensa, ela morreu."
 
Como um filme no sobrevive apenas de piadas internas, o diretor Simon West no mediu esforos em perseguies e tiroteios. A turma de idade avanada e corpo sarado luta contra um perigoso inimigo que roubou plutnio russo e ameaa o planeta, papel reservado a Van Damme. Resgatado do limbo e do vcio das drogas, o ator belga ganhou participao de destaque como vilo, o que abre horizontes para a sua carreira combalida. Para limpar a sua imagem (o primeiro filme deixou dvidas de US$ 3 milhes s produtoras brasileiras), desta vez Stallone escolheu como cenrio a China e a Bulgria. At agora, ningum cobrou a conta.


5. EM CARTAZ  CINEMA - MAIS UM SUCESSO VINDO DA FRANA
por Ivan Claudio

O bom momento comercial do cinema francs atinge mais um pico com a estreia de Os Intocveis, na sexta-feira 31. A histria do milionrio Phillipe (Franois Cluzet), que, ao ficar tetraplgico em um acidente de parapente, contrata como enfermeiro um ex-presidirio sem experincia (Omar Sy),  o filme de lngua no inglesa mais visto nos EUA. O que poderia ser a histria de uma tragdia  apresentada como uma comdia sobre dois homens que se tornam amigos aps passarem por situaes limite e somarem experincias a seu favor. Baseado numa histria real (o livro de Phillipe Pozzo di Borgo acaba de ser lanado no Brasil pela editora Intrnseca), Os Intocveis conquista o pblico ao tratar, sem pieguice, de uma dupla que sabe lidar  e muito bem  com seus prprios fantasmas.
 
+5 SUCESSOS DO CINEMA FRANCS
O FABULOSO DESTINO DE AMLIE POULAIN (Foto)
 Uma garota encontra uma caixa em seu novo apartamento e procura o antigo morador, o que lhe proporciona novas descobertas
 
O ARTISTA
 Astro do cinema mudo entra em decadncia com a chegada do filme sonoro
 
PIAF  UM HINO AO AMOR
 A vida de uma das maiores cantoras francesas. Marion Cottilard ganhou o Oscar pelo papel
 
O PROFETA
 Um jovem rabe ascende na hierarquia carcerria e passa a receber misses externas de alto risco
 
AT A ETERNIDADE 
O relacionamento de um grupo de amigos que tem por hbito passar juntos as frias de vero


6. EM CARTAZ  LIVROS - FAMOSO PARA SEMPRE 
por Ivan Claudio
Arthur C. Danto abre o seu livro Andy Warhol (Cosac Naify) com a advertncia de que no se trata de mais uma biografia do papa da pop art. Seu provocativo ensaio no  tambm destinado a estudiosos como ele. Em linguagem clara e bem-humorada, Danto mostra por que Andy Warhol foi o grande artista contemporneo. E crava: O que faz dele um cone  que seu tema sempre  alguma coisa que o americano comum entende.


7. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - O RETRATISTA DO PERU 
por Ivan Claudio

Na obra de alguns fotgrafos, o fato esttico est em segundo plano, tal o impacto da documentao social.  o que acontece com Pierre Verger e tambm com o peruano Martn Chambi, que tem 24 imagens inditas expostas na Galeria Fass, em So Paulo, a partir do sbado 25. De origem indgena, Chambi registrou o seu povo com altivez e rigor antropolgico. A srie de fotos nunca mostrada no Brasil cobre o perodo de 1927 a 1943 e compe-se de retratos, cenas do cotidiano e paisagens. Alm do registro histrico, as imagens impressionam pelo completo domnio da tcnica e da luz.


8. EM CARTAZ  DVD - 40 VEZES NELSON 
por Ivan Claudio
Filmada por Daniel Filho para o programa Fantstico, em 1996, a srie A Vida Como Ela ɔ, baseada em contos de Nelson Rodrigues, tem seus 40 episdios lanados agora em DVD duplo na comemorao do centenrio de nascimento do escritor. Tragdias familiares, traies, incesto e uma viso particular da vida nos subrbios cariocas do o tom das pequenas histrias que contam com a participao de atores e atrizes consagrados como Tarcsio Meira, Mait Proena e Claudia Abreu. Entre as obras adaptadas, destacam-se A Dama do Lotao, Divina Comdia e Viva Alegre.


9. EM CARTAZ  MSICA - SOUL FUTURISTA
por Ivan Claudio
H 13 anos sem gravar um trabalho solo, a lenda do soul Bobby Womack retorna com The Bravest Man in The Universe, coproduzido por Damon Albarn, um dos mais talentosos msicos pop da Inglaterra. Foi Albarn, alis, quem apresentou Womack para a nova gerao ao convid-lo para participar de Plastic Beach, o mais recente CD de sua banda Gorillaz. O tom eletrnico desse disco se faz presente nas 11 canes de The Bravest Man, modernizando o soul de Womack com batidas de hip-hop, efeitos digitais, cordas e teclados esparsos. Com sua voz quente e rouca, o cantor de 68 anos regravou um clssico de Sam Cooke (Dayglo Reflection, em dueto com Lana del Rey), um tema de domnio pblico (Deep River) e se mostra totalmente em forma em Stupid e Nothin Can Save Ya, as melhores faixas do CD.


10 EM CARTAZ  AGENDA - FRANZ/COMMON/NELSON
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

FRANZ MANATA SAULO LAUDARES
 (Galeria Laura Alvim, Rio de Janeiro, at 23/9)
Fotos, objetos, vdeos e instalaes da dupla de artistas plsticos que se inspira na cultura da msica eletrnica
 
COMMON LAW
 (Universal Channel, quarta-feira, 23h)
A srie policial centra-se na dupla de policiais Travis Marks (Michael Ealy) e Wes Mitchell (Warren Kole), detetives da diviso de roubos e homicdios de Los Angeles
 
NELSON FREIRE
 (Theatro Municipal, Rio de Janeiro, 2/9)
O pianista mineiro vai interpretar obras de Frdric Chopin, Franz Liszt, Heitor Villa-Lobos e Johannes Brahms


11. ARTES VISUAIS - A CONQUISTA DA AMRICA

Processo criativo do arquiteto Le Corbusier  explorado em filme de Pierre Huyghe e em exposio sobre viagem  Amrica do Sul
por Paula Alzugaray

No  tempo de sonhar  Pierre Huyghe/ Centro Universitrio Maria Antonia/ at 21/10
 Le Corbusier  Amrica do Sul  1929/ Centro Universitrio Maria Antonia/ at 21/10

FICO REAL - "No  Tempo de Sonhar", de Huyghe, sobre edifcio de Le Corbusier
 
Um dos maiores arquitetos do sculo XX e pioneiro da arquitetura moderna mundial, Le Corbusier fez sua primeira viagem  Amrica do Sul em 1929. No Brasil, suas conferncias sobre urbanismo foram determinantes para influenciar nossos profissionais a romper com o neoclassicismo dominante nos anos 1920, para ento comear a desenvolver a aptido necessria a fim de produzir a arquitetura moderna de vanguarda que ganhou a ateno do mundo. Precisaramos hoje de outra visita de Le Corbusier para quem sabe interromper a escala neoclssica que no abandona a construo civil brasileira. Dado que o arquiteto no pode fazer essa viagem  porque viveu at agosto de 1965 , essa visita oportuna se faz na forma de duas exposies no Centro Universitrio Maria Antonia, em So Paulo.
 
Le Corbusier  Amrica do Sul  1929 apresenta 26 desenhos originais produzidos durante a viagem feita a Buenos Aires, Montevidu, So Paulo e Rio de Janeiro. Muitos deles so vistas areas de projetos concebidos para essas cidades, produzidos a partir da primeira oportunidade que o arquiteto teve de voar em um avio. A impactante apreenso panormica do territrio fertilizou o dilogo entre as escalas da arquitetura e do urbanismo, argumentam no texto de apresentao os curadores da exposio, os arquitetos Rodrigo Queiroz e Hugo Segawa. Tentei a conquista da Amrica movido por uma razo implacvel e pela grande ternura que voto s coisas e s pessoas, escreveu Le Corbusier sobre a viagem.
 
Entre os planos urbansticos elaborados para a cidade do Rio de Janeiro  no realizados  est um dos primeiros projetos de alojamentos para classes populares idealizados no sculo XX. Depois, ao regressar ao Brasil nos anos 1930, traou o esboo para a sede do Ministrio da Educao e Sade, que chegaria a ser considerado o mais belo edifcio do Ocidente pela imprensa mundial.

SONHOS - "Plano para a Cidade do Rio de Janeiro", desenho realizado em 1929
 
Mas se, segundo a exposio, a visita ao Brasil e os deslocamentos pela Amrica do Sul foram decisivos para mudar a viso que Le Corbusier tinha do mundo e da arquitetura, o mesmo encontro frutfero no chegou a acontecer em sua viagem  Amrica do Norte. Esse  o argumento do artista francs Pierre Huyghe no filme No  Tempo de Sonhar, realizado em 2004, ocasio dos 40 anos do Carpenter Center for the Visual Arts, na Universidade de Harvard, o nico edifcio de Le Corbusier construdo nos Estados Unidos.
 
Em um delicado teatro de marionetes, Huyghe reconstitui o turbulento processo criativo do arquiteto franco-suo na Amrica. Em uma narrativa paralela, representa a si mesmo como um dos personagens na trama, em um embate pessoal com os agentes da instituio acadmica durante a pesquisa para a realizao do filme. Le Corbusier, Huyghe e os outros personagens so invariavelmente interceptados pelo reitor dos reitores, uma criatura sombria que manipula seus interlocutores como bonecos de um teatro de marionetes.
 
Nessa homenagem metalingustica e labirntica, Huyghe produz uma sofisticada metfora das foras ocultas que regem as relaes humanas no complexo sistema da poltica cultural  questes que compunham o universo de interesses dos projetos revolucionrios de Le Corbusier.


12. ARTES VISUAIS - UMA ROTA DA SEDA, REVISITADA 
Pulsaes - Cristina S/ Paulo Darz Galeria de Arte, Salvador/ at 21/9
por Paula Alzugaray

Em um contexto em que a arte contempornea est majoritariamente voltada para experimentaes em novas mdias e reverberaes da arte conceitual, a pintora Cristina S  uma guardi dos fazeres manuais. Suas telas, instalaes e mbiles tridimensionais, atualmente em exposio na Paulo Darz Galeria de Arte, em Salvador, so fruto de uma intensa atividade que envolve pintura, colagem, desenho, costura e monotipia, processos manuais utilizados h sculos na arte ocidental e h milnios na arte oriental. ?Eu rasgo, colo, pinto, desfao, refao, costuro, amarro, imprimo. Minha arte ter sempre um compromisso com os processos de feitura?, diz Cristina. ?Felizmente, a arte tem muitos caminhos e, apesar de ter sua morte tantas vezes anunciada, a pintura continua, sempre.?
 
Na abrangncia de seus processos, o trabalho de Cristina executa uma espcie de rota da seda, revisitada, funcionando como um elo de ligao entre o Oriente e o Ocidente. Segundo a artista, suas influncias nascem no Extremo Oriente, na China, graas  influncia gentica do av materno, de quem absorveu o uso da seda, do nanquim e do linho. Das viagens pela China, Nepal, Tailndia e Japo, a artista trouxe tcnicas e diversos tipos de papis, que so rasgados, molhados e modelados com tinta sobre tela. O papel washi japons, por exemplo, foi utilizado em Salvador em trs grandes instalaes suspensas.
 
O roteiro das tcnicas milenares de Cristina S alcana o Ocidente ao se utilizar de matrias como o acrlico, o metal ou o vidro. Todos esses elementos, somados, so harmonizados para compor figuras em formas de mandalas, paisagens e objetos leves e elevados, que favorecem uma relao altamente contemplativa com o espectador.
 
?A pintura e a meditao se relacionam diretamente em meu trabalho e em minha vida. A meditao  o que precede o campo de ao do trabalho, estabelece a entrega que d incio ao processo criativo. Da para frente, o trabalho se desenvolve, criando zonas de tenso e ondas de equilbrio?, descreve a artista.
